O meu corpo no Outono














agora que morri, venho dizer-te que te amo.
amo-te morta.
amei-te viva.
porém,
sem nunca to dizer
dizer… dizer…
dizer palavras essenciais 
de «essência»
dizer muitas vezes palavras essenciais
essências difíceis de dizer
porém,
tão boas de sentir
doces de ouvir
sinto-te…

morta, sem te ouvir.

A outra vida I


Nesta longa noite de silêncio viajei por lugares tão estranhos quanto belos...

A cama de ferro e o meu corpo, transportados como se fossem leves, para uma pequena ampliação do escritório sobre a rua, foram o meu tapete voador. Uma violenta tempestade de ventos e de mar agitado transportou-nos (sem que me desse conta pois dormia) da rua onde vivia até uma estreita viela no bairro de um castelo. Fui acordada por alguém que batia energicamente na porta do meu invólucro, que simplesmente pretendia passar... Pousámos, entalados na viela, impedindo uns de saírem ou entrarem na própria casa e outros de percorrerem a rua.

























João Serra, Mértola, 2010

Pegadas ecológicas









Estar atento à delicadeza com que os animais tocam no território, para o atravessar ou para viver nele.

Casas que choram baixinho


Se eu pudesse ser a "Dama de Chandor"...


Grata à Catarina Mourão por tão belo filme


Distâncias e proximidades

ou caminhos secretos tranquilamente percorridos 
por quem olha para cima e, generosamente,
leva consigo quem olha para baixo.























para o Alberto, com carinho e gratidão





Casa que acolhe

É fresca quando o ar está quente
Oferece lugares para sentar e escrever
Veste cores que vestem quem lá fica
Cheira a hortelã e a terra molhada
Ilumina caminhos tranquilos
Pertence a quem lhe pertence
Guarda os objectos nos seus precisos lugares
E guarda também segredos para sempre
Ecoa histórias e canções de embalar
Dorme quando se lá dorme e acorda ao primeiro olhar





Com este afecto antigo, para o Nuno