Ocaso de Outono
Quando o céu do Outono se põe com esta luz, é difícil resistir-lhe.
Mesmo se o que o enquadra, brilha de forma estranha...
Ver ou não ver
Ao sair da exposição "Ver com outros olhos", na Fundação Calouste Gulbenkian, trazia os pés fora do chão e o coração ao alto.
Os olhos, esses, vinham bem alerta, vivendo em plenitude a função da sua existência. Cada detalhe, um universo. Cada paisagem, uma memória. Cada enquadramento do olhar, uma fotografia dos milhões de que vai sendo feito o filme da minha vida.
Agora, que tenho vindo a sentir o envelhecer do meu ver, percebo como para lá deste meu ver haverá sempre um outro, até morrer. Esse outro, tem a porta aberta para ver o caminho da vida, o do sentir.
Estou grata a todos os que levaram a cabo o projecto "Ver com outros olhos". Sim, porque além de todos os que puderam participar com outros olhos, também do lado de cá, do lado do público, se anuncia essa possibilidade tão valiosa. Sobretudo quando hoje, e cada vez mais, há um mundo de gente que escolhe ver e outro mundo que, tristemente, escolhe não ver...
Os olhos, esses, vinham bem alerta, vivendo em plenitude a função da sua existência. Cada detalhe, um universo. Cada paisagem, uma memória. Cada enquadramento do olhar, uma fotografia dos milhões de que vai sendo feito o filme da minha vida.
Agora, que tenho vindo a sentir o envelhecer do meu ver, percebo como para lá deste meu ver haverá sempre um outro, até morrer. Esse outro, tem a porta aberta para ver o caminho da vida, o do sentir.
Estou grata a todos os que levaram a cabo o projecto "Ver com outros olhos". Sim, porque além de todos os que puderam participar com outros olhos, também do lado de cá, do lado do público, se anuncia essa possibilidade tão valiosa. Sobretudo quando hoje, e cada vez mais, há um mundo de gente que escolhe ver e outro mundo que, tristemente, escolhe não ver...
Aqui entre nós
é o Verão inteiro num só dia
quando, em Outubro, um tapete de conchas
se
estende aos nossos pés na maré vazia
ali, onde o comboio já não passa…
O meu corpo no Outono
agora que morri, venho dizer-te que te amo.
amo-te morta.
amei-te viva.
porém,
sem nunca to dizer
dizer… dizer…
dizer palavras essenciais
de «essência»
de «essência»
dizer muitas vezes palavras essenciais
essências difíceis de dizer
porém,
tão boas de sentir
doces de ouvir
sinto-te…
morta, sem te ouvir.
A outra vida I
Nesta longa noite de silêncio
viajei por lugares tão estranhos quanto belos...
A cama de ferro e o meu corpo,
transportados como se fossem leves, para uma pequena ampliação do escritório
sobre a rua, foram o meu tapete voador. Uma violenta tempestade de ventos e de
mar agitado transportou-nos (sem que me desse conta pois dormia) da rua onde
vivia até uma estreita viela no bairro de um castelo. Fui acordada por alguém
que batia energicamente na porta do meu invólucro, que simplesmente pretendia
passar... Pousámos, entalados na viela, impedindo uns de saírem ou entrarem na
própria casa e outros de percorrerem a rua.
João Serra, Mértola, 2010
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