Joan Margarit

TANTES CIUTATS ON HAVÍEM D’ANAR  

 El nostre somni és fet de ciutats cultes

amb música i cafès hospitalaris,
la majestat d’un port i estacions
de ferro i vidre amb trens brunyits pels vespres
i per la pluja, la mateixa pluja
que ens acompanya en un petit hotel
o des de les finestres d’un museu.
Hi ha recers a l’empara de grans arbres,
gent callada, educada i ben vestida,
i les silencioses llibreries
on els ulls vaguen mentre cau la tarda.
 
Tantes ciutats on havíem d’anar, oh estimada.
La lluna surt damunt dels ponts de ferro
dels anys quan canvià la nostra llei.
Des de llavors el temps és una pluja
que ens ha amarat igual que una teulada.
Però en la llum del pati hem vist els temples
de marbre blanc i travertí daurat.
Hem trobat, als carrers de petits pobles,
fastuosos estucs de color terra
esgrafiats pel vent. Aquesta casa
del balcó i de l’eixida té una llum
de conversa i refugi. De nosaltres,
el qui quedi tindrà el xiprer i les heures
per fer-li de record i companyia
fins que ens trobem a les ciutats del somni.
 
 
poema retirado do livro "Misteriosamente Feliz. Uma Antologia" 
de Joan Margarit
Edição bilingue da editora Língua Morta
Organização de Miguel Filipe Mochila



 Para mim, o Catalão é uma língua musical, cheia de outras línguas. 
A poesia de Joan Margarit é cheia de Catalão, de paisagens e de arquitecturas. 
Obrigada e até sempre, caro poeta arquitecto.

Confinar nos livros

Que sorte é ter pequenas bibliotecas que aquecem a alma, o espírito e o corpo.









Obrigada a todos os escritores, poetas e desenhadores, 
de sonhos e conhecimentos... 






Que sorte é ler "O Infinito num Junco".
Obrigada Irene Vallejo por tantos livros num só.


Regresso ao Mar

nas marés vivas de Agosto.

os cheiros também olham

o corpo, a casa, os caminhos
os outros seres vivos
nas pausas, quadradinhos
inventar ferramentas
espera
silêncio
hibridez
paragem duradoura
























tempo

Se Ícaro não morrer da queda poderá finalmente encostar as narinas à terra.


Para todos vós
Castelo de Vide, em quarentena

Outras aguarelas



























técnica de pintura?
pigmentos suspensos ou dissolvidos em água?
suporte com elevada gramagem?
protagonismo da água?
intensidade e transparência das cores?
subtileza e cuidado na execução?
paisagem?


Para a Susana (uma daquelas nossas brincadeiras com o olhar)
e
Para a Raquel (uma brincadeira com palavras, sem regras ;)



Encontro no quadrado azul




Agora, aqui, no quadrado azul deste pátio, escrevo a mim mesma o quanto lamento ter existido tanto tempo desatenta, abandonada ao imediatismo das facilidades do meu tempo jovem, desperdiçada por mim própria.

(a propósito das belas imagens e diálogos do "Senso" de Visconti  revisitadas no "Ornamento e Delitto" de Rossi, que não situaria não fora a sorte de encontrar um amigo que me amparou a memória)

Obrigada Ricardo

Animais e marcações de território


Óbidos, 10 de Agosto 2019



Não sei muito sobre este assunto, de um ponto de vista científico, mas é sabido pelo senso comum que muitos animais irracionais marcam os seus territórios de formas variadas. Os cães e os gatos fazem xixi, por exemplo...
Os animais racionais, ou seja, os seres humanos, nós... também marcamos os nossos territórios das mais variadas formas. Algumas assemelham-se às dos animais irracionais. São os sinais do nosso lado selvagem, certamente... 
Outras são igualmente selvagens mas incompreensíveis, de qualquer ponto de vista, e muito feias.